Penso, Logo Existo…

Fabrício de Oliveira: faolliver@terra.com.br; prfabricio@hotmail.com

18

de

junho

Pensamento….

… nada é muito fácil…. quase nada é muito difícil… se não vier de dentro, de fora é que não vai vir… eu pensei nisso nesses dias… mas hoje é muito mais verdade do que ontem… e também é verdade que os desafios de hoje são maiores dos que o de ontem… e só é desafio o que a gente acha que tem que ser… Jesus já havia dito que onde estivesse o seu tesouro ali também estaria o seu coração… se não souber onde está o seu tesouro, não saberá onde estará o seu coração… aí a vida fica sem sentido, sem razão de ser, com muito mais dor do que prazer… e vai ter que esperar até a próxima crise… pois ela vai ser a única esperança que tem pra descobrir coisas que são importantes e quais devem ser os seus desafios… não deixe os anos passarem pra dar a importância devida às coisas… pode apostar que vai ser mais difícil… o tempo não espera você acordar… a vida não pára enquanto você dorme… mas como diz uma frase que vi… a jornada de muitas milhas começa com o primeiro passo… ainda dá pra chegar… eu espero que sim… vai dar sim…

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27

de

janeiro

Coisas da Vida… (Parte II)

 

O que move qualquer pessoa é sua paixão. Um sonho precisa ser alimentado por paixão. Uma visão precisa da paixão para se tornar real. Eu não tenho certeza se ouvi isso de alguém ou li em algum lugar, mas de qualquer forma eu acredito muito nisso.

Qualquer pessoa que luta sem saber o porquê fatalmente vai se encontrar com a derrota. Não dá para lutar somente pela luta. Dia desses assisti Tróia na TNT e descobri que nem Aquiles lutava somente pela luta; ele lutava pela sua imortalidade, pois essa era a sua paixão. Ele queria seu nome gravado na história. Quando ele chega às margens de Tróia, brada ao seu exército de grandes guerreiros que lá, no meio da batalha, eles encontrariam a razão de estarem ali; a imortalidade. Ele estava “nem aí” com Agamenon e muito menos com Menelau e Helena que fugiu da Grécia com Páris. Aquiles tinha a sua causa. O filme é só uma paráfrase da história, vale a pena ler, mas em ambos os casos, no filme e na mitologia grega, Aquiles é movido por sua paixão.

Eu falo no texto anterior sobre o dinamismo da vida, que se reflete nas mais variadas situações e sentimentos que se revelam cíclicos. Se repetem no decorrer da nossa história. Dias vêm e dias vão e as angústias e crises, assim como as alegrias e satisfações, são as mesmas, que, às vezes, se exteriorizam em formas diferentes, tudo porque a vida é dinâmica; a Vida tem vida própria.

Cito sobre meus pensamentos recorrentes acerca de um relacionamento profundo com Deus diante dessa dinâmica da vida e como a vontade de Deus se define e se mistura com as minhas vontades, tanto para o lado bom como para o mal.

Quando digo que a gente acaba aprendendo que as coisas legais são decorrentes de intimidade e estar no centro da vontade de Deus e as ruins de algum desajuste nesse relacionamento, é claro que quero dizer que essa formatação que nos foi imposta não é verdadeira. Quando você espreme esse conceito só o que sai é barganha.

Estar na vontade de Deus não está nem de perto relacionado com questões geográficas. A vontade de Deus não é um campo onde você ocupa um lugar. Isso é mais parecido com relativismo, pois eu posso definir onde é o centro da minha teologia e você pode fazer o mesmo e ter o “seu” centro em um lugar diferente do meu. Relativismo é um dos grandes males do nosso tempo.

Deus não é relativo; Deus é absoluto, assim como Sua vontade é. Assim como sua Verdade é. Não trato o que é de Deus como verdades, mas como Verdade, assim como não são caminhos, mas O Caminho.

Quando Deus se define para Moisés o faz como EU SOU. Nada é mais absoluto do que isso. Deus nem sequer agrega qualquer adjetivo que possa limitá-lo; Ele É.

Em nome do “Centro da Vontade de Deus” as pessoas se esconderam da responsabilidade pessoal por suas escolhas. Deus deseja que eu seja alguém responsável e que assume responsabilidades.

Muitas pessoas tomaram decisões dizendo que estiveram convictas da vontade de Deus e depois de um tempo o projeto fracassou e elas se perderam na sua fé não entendendo o que houve. Como se o fracasso não pudesse, também, fazer parte da vontade de Deus.

Não tenha medo de tomar decisões.

Não estou encorajando uma vida que não busca a vontade ou a direção de Deus, de forma alguma acho que uma vida sem oração e busca traz sucesso para qualquer um de nós. Mas por outro lado, ando meio cansado de certo povo que fala tanto na Vontade de Deus, de estar nela, mais especificamente “no centro dela”, e tem vida vazia, superficial, sem compromissos e/ou responsabilidade. Acho mais que vivem o acaso e chamam isso de Deus. Eu explico.

Gente circunstancial. Vão para onde a maré os empurra achando que quando a coisa esta bem é Deus, quando não está não é. Então quando alcança uma “vitória” bem gorda, aí então chegaram ao centro da vontade de Deus. Então se tornam prepotentes, soberbos e orgulhosos porque encontraram o que a maioria busca em vão e passam a ser um grupo especial que chegou em Atlântida.

Minha proposta é estabelecer um relacionamento com Deus totalmente livre de qualquer conceito ou padronização que não seja o já estabelecido pura e simplesmente na Palavra de Deus.

Gente! Deus continua sendo o mesmo estando tudo indo bem ou tudo indo mal, porque no final da história, tanto o bem quanto o mal são somente aparentes tendo como referência o propósito/vontade absoluto de Deus.

Eu não sei você, mas invés de tentar achar o centro da vontade de Deus vou me esforçar para que Ele esteja no centro da minha vida, do meu coração, mexendo e transformando meu caráter, moldando minhas escolhas e influenciando minhas decisões. Que Ele aperfeiçoe minha forma de amar as pessoas sejam elas quem forem. Que seja essa a minha Paixão. Que seja isso que me motive a viver.

Até mais;

 

Fabrício.

 

 

 

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11

de

janeiro

Coisas da Vida… (Parte I)

 

 

Quanto mais escrevo mais tenho dificuldade em escrever, me parece que deveria ser o contrário. O normal seria a repetição me facilitar as coisas. Mas então entendo que, na verdade, eu não sou um escritor, acho que me pareço mais com um pensador que expressa o que pensa e divide consigo mesmo e com gente paciente que pára um pouquinho para ler. De vez em quando, a Josi vem, graciosamente, me corrigir, mas me permito errar justamente por não ser o que digo que não sou. Sou livre para escrever, por ideologia e por vocação, não tenho compromissos.

Tem gente que me “encomenda” textos me sugerindo temas, mas eu não consigo, eu tento, tento por amor e consideração, e honra também, pois se me sugerem é porque acreditam que eu tenho algo para dizer, mas não dá para mim. Eu não sou um escritor. Eu penso sobre as coisas e é por isso que esse espaço tem o nome que tem.

Por falar em pensamento, há um bom tempo que tenho pensado sobre como a vida é dinâmica. Guerra e paz; tristezas e alegrias; choro e riso; amores e ódios; pecado e pureza; consciência pesada e consciência leve; escravidão e liberdade; angústia e alívio; visão teológica e verdade bíblica; denominações e suas doutrinas e o que Jesus ensinou e viveu. Nossa! Quanta coisa! Sem falar nas coisas do dia a dia que se desdobram de acordo com nossos contextos como profissão, família e atividades em geral.

No percurso da minha vida tenho passado por todas essas coisas e vejo como elas são cíclicas. Elas fazem parte da vida da gente sempre e não tem receita para experimentar só a parte legal de todas elas. De algumas sim não sempre, mas de todas nem pensar.

Dentro de tudo isso que é a vida, que seguindo o curso natural sem disciplina da nossa parte nos empurra sempre para margem, me pego muitas vezes pensando sobre o que é de verdade um relacionamento profundo com Deus. Na vontade d’Ele e nas minhas. Como elas se definem e onde elas se misturam para o lado bom e para o ruim.

A gente acaba aprendendo que todas as surpresas desagradáveis que a vida nos reserva estão relacionadas com um certo desajuste nesse relacionamento com Deus e que as coisas boas estão reservadas para aqueles que são íntimos e estão no “centro da vontade de Deus”.  Se é que o centro da vontade de Deus se concentra num certo ponto geográfico dentro de um espaço, que é a vontade de Deus, onde você precisa estar no centro. Você pode estar na vontade de Deus, mas pode ser que esteja, dentro da vontade de Deus, em Latitude -22° 54′ 20”  e Longitude 47° 03′ 39” , o que pode ser bom, pois está dentro da vontade de Deus, mas não é o centro. Então é um bom ruim e se é ruim não tem nada a ver com Deus. Que loucura!

Além dos dramas da vida a gente tem que se preocupar com os dramas geográficos das coordenadas da vontade de Deus. Parabéns para quem inventou isso deixando muita gente perdida no meio de um oceano fazendo de suas vidas uma fantasia e uma viagem em busca do Santo Graal ou da Arca Perdida. Pensa em alguém que quando tudo está bem diz: “estou no centro da vontade de Deus”; e quando vai mal diz: “não, essa não é a vontade de Deus pra minha vida”.

Se a gente entendesse que a vontade de Deus para vida de todos é uma só; Amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo ficaria mais fácil conviver com o dinamismo que é a vida.

Eu vou escrever mais sobre isso, é uma introdução, já que isso tem invadido meus pensamentos há um bom tempo. Talvez falar um pouco sobre amar a Deus sobre todas as coisas e um pouco sobre o amor, que mais uma vez vou dizer, fazer algo por amor faz parte dele, mas sua essência está na renúncia.

 

Até mais;

 

Fabrício.

 

 

 

 

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21

de

novembro

Qual é Sua Necessidade? Eu Digo Quem é Você.

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Ricardo Gondim, em uma de suas mensagens, diz uma frase que descreve a essência da igreja de nosso tempo. Me diga quais são as suas necessidades que eu digo quem você é. Quando eu identifico as coisas que são importantes para uma pessoa consigo, de um modo geral, saber quem ela é.

Quando percebo em alguém, o dinheiro sendo a coisa mais importante, facilmente sei que o preço das coisas, em sua visão, é mais importante do que valor que elas tem. Para essa pessoa, o que se pode comprar caracteriza sucesso e sentido de realização.

Quando vejo em alguém obsessão pela aprovação das outras pessoas, vejo alguém que é inseguro em relação a si mesmo, tomado por complexo de inferioridade, onde os aplausos suprem a pequenez com que enxerga a si mesmo, mesmo que inconscientemente.

Deus sabe de todas as coisas. Sabe quem nós somos mesmo antes da nossa existência, mas humanamente falando, pela minha ótica, Deus sabe quem nós somos pelo tipo de oração que fazemos.

Sem levar em consideração nossa responsabilidade pessoal pelas escolhas que fazemos, não descarto, de modo nenhum, a forma como temos sido induzidos a formatar um tipo de oração que leva as nossas necessidades ao centro da existência humana, e dentro deste aspecto quero continuar agora a segunda parte do tema que estava desenvolvendo antes.

No texto anterior, embora sem me aprofundar muito, cito a disputa que existe dentro da consciência humana sobre a existência de Deus e a necessidade de um relacionamento de intimidade com ele e a necessidade do Pão. O que é mais importante? O que me chama mais a atenção? Pão ou Deus? Esse é o espírito do confronto entre Cristo e Satanás no deserto. Cristo determina as reais prioridades demonstrando que, embora o Pão tenha a sua importância, nem de perto é o mais importante. Fundamentado na resposta de Jesus, Paulo desenvolve seu pensamento de que a vida biológica, que depende da necessidade do Pão sendo suprida, só tinha razão de ser em Cristo. Ele diz em sua carta aos Filipenses 2.20-25:

O meu grande desejo e a minha esperança são de nunca falhar no meu dever, para que, sempre e agora ainda mais, eu tenha muita coragem. E assim, em tudo o que eu disser e fizer, tanto na vida como na morte, eu poderei levar outros a reconhecerem a grandeza de Cristo. Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro. Mas, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho útil. Então não sei o que devo escolher. Estou cercado pelos dois lados, pois quero muito deixar esta vida e estar com Cristo, o que é bem melhor. Porém, por causa de vocês, é muito mais necessário que eu continue a viver. E, como estou certo disso, sei que continuarei vivendo e ficarei com todos vocês para ajudá-los a progredirem e a terem a alegria que vem da fé. (ntlh)

Se para Paulo existia uma razão para continuar vivendo, essa razão estava intimamente relacionada com a necessidade dos outros, e não nas dele, pois estava claro que sua maior necessidade era estar perto de Cristo.

Mas alguém, movido por não sei quem, conseguiu fazer do pão moeda de troca. Necessidade virou fim. E o pior, vivem, inspiram e ensinam outros a viverem da mesma forma. A virada de mesa da necessidade como um fim fez brotar dentro da igreja, sem generalizar é claro, materialismo, que é abastecido pelo capitalismo, que é regido pelo mundanismo, que encontra razão de ser na carnalidade. Homens e mulheres dessa nova/velha igreja deixaram de ser pregadores e agora são conferencistas, os pastores agora são psicoterapeutas e os mestres agora são pedagogos. Sabe por quê? Para poder atender às necessidades, dos outros e de si mesmos.

Quase tudo o que diz respeito à igreja de hoje está relacionado com perdas e conquistas. É mais ou menos assim, pense se já viu isso em algum lugar:

“você anda a pé ou se submete a andar de ônibus, está desempregado e sem dinheiro, até hoje não se casou, paga aluguel? Você não tem fé! Não seja um derrotado, não viva na miséria! Deus é poderoso para fazer de você um vencedor! Eu trago sobre sua vida uma palavra profética, pois é isso que eu sou, um profeta! Vai lá em casa pra você ver, sirvo à Deus com integridade e fidelidade; veja lá na minha garagem, tem três carros, dois importados; porque eu vivo pela fé. Deus é maravilhoso! Minha esposa queria fazer uma plástica. Ela estava muito triste e eu queria pagar uma plástica pra ela, mas irmãos, somos servos de Deus, vivemos pela fé. Irmãos, Deus é fiel. Chamei minha esposa, oramos e pedimos que Deus criasse meios pra que conseguíssemos essa vitória. No dia seguinte o telefone do meu escritório não parou de tocar, foram vários convites para ministrar em várias conferências por todo país e em duas oportunidades fui para o exterior. Foi difícil pois eu fiquei 23 dias fora de casa ministrando. A gente tem que fazer sacrifícios se não a vitória não vem. Esse é o Deus que nós servimos! Como eu pagaria isso se não fosse o dinheiro das ofertas vindas das igrejas onde estive ministrando? Venha para o Altar e tenha sua vida transformada também”. 

Já ouviu isso antes? Essa foi só uma faceta. O que pensa alguém que sai de uma reunião dessas? Uma igreja com homens que não servem AO Evangelho, mas se servem DO Evangelho. Adulteram a mensagem, subvertem a Igreja que é Casa de Oração, no sentido espiritual não físico, que significa relacionamento de intimidade e usam Deus como meio para atingir as Necessidades, que são, para essa nova/velha igreja: falta de dinheiro, problemas sentimentais/emocionais e doenças.

Hoje os pastores vivem com suas agendas lotadas, porque se não for assim, não conseguem sustentar seus ministérios. Não preciso falar. Está aí para todo mundo ver. Ministérios que levam seus nomes expostos nos banners com fotos gigantescas, certamente para que “Cristo cresça e eles diminuam”. Mas faz sentido. São ministérios sustentados por eles mesmos. Eles se promovem. E para ajudar criaram os “Cartões de Fidelidade” para aqueles que ajudam a sustentar os seus chamados.

Tudo isso tem se tornado um círculo vicioso, leia meu artigo “Pastores Ruins? Ovelhas Também…” (http://fabriciodeoliveira.blog.terra.com.br/pastores_ruins_ovelhas_tambem), e vai ver que já falei um pouco sobre isso. As pessoas são atraídas pelas promessas de suas necessidades supridas. Alguns chamam isso de estratégia de evangelismo. Eu chamo de perversão do evangelho. Quem anda no meio das pessoas sabe o tipo de cristãos que esse sistema tem formado.

Diante disso tudo pode surgir a pergunta: Que igreja eu devo ir? Você deve ir a uma igreja onde seus pastores pregam somente a palavra de Deus e vivem uma vida digna, com simplicidade e sem ostentação. Você deve freqüentar uma igreja que se preocupa com os pobres, com as viúvas e encarcerados. E preocupação aqui não é somente pagar a conta de luz, aluguel ou cestas básicas, mas é amor mesmo.

Você deve freqüentar uma igreja onde os pastores são pastores fora do púlpito e suas vidas são melhores mensagens do que as que eles pregam no domingo.

Tem muita igreja e gente séria espalhada por aí, mas cada ano que passa elas são mais minoria ainda. Assim como Rick Warren, penso que a resposta e a solução para o nosso mundo estejam na Igreja. Mas estão na igreja que Jesus estabeleceu. Naquela que é reflexo de quem Ele é. Tudo o que Jesus espera daqueles que o servem, pastores ou ovelhas, está no Evangelho de Mateus capítulo 5:1 até 7:28. O que passar disso esqueça.

Até mais,

Fabrício.

16

de

outubro

Te Vejo Mais Tarde…

O texto de hoje não fala de atualidades, teologia, igreja, mensagem ou mensageiros. Ainda vou continuar a escrever sobre o que comecei no texto passado. Hoje cheguei aqui para dizer que tem coisas que a gente custa a acreditar.

Pastora Maria, a Má, foi chamada pelo seu Senhor. Segunda, 13 de outubro de 2008, às 9h00, depois de uma intensa luta na UTI, ela foi para Casa. Ela lutou como sempre, mas foi vencida. Não pela morte; talvez pelo cansaço. A morte é lucro quando se vive por Cristo (Filipenses 1.21). Entender isso é entender a Maria e vice-versa.

Interessante que dói mais agora do que antes; do que na hora, quando o Kaled com a voz embargada disse que nossa amiga tinha ido. Depois disso, a lembrança chega no meio do dia, no meio do nada e no meio de tudo e o peito aperta e os olhos marejam. Deus, na soberania que cabe somente a quem é Deus, chama para Si alguém que lhe chamou pelo Nome e viveu como poucos a radicalidade do Evangelho.

Má foi para os braços do Pai.

Como sou grato à Deus pela vida dessa mulher preciosa. Se recusou em toda sua existência qualquer possibilidade de não acreditar nas pessoas. Eu sou prova disso. Em um dos momentos mais difíceis da minha vida, foi os braços dela que Deus usou para me manter em pé. E não fez isso só por mim. Fez por todos. Fez mais de uma vez. Fez todas as vezes. Tinha gente que dava canseira, mas não nela. Ela não se cansava. Não se cansava fisicamente e muito menos emocionalmente. A baixinha era forte. Ou frágil demais e apenas se cumpria o que Deus disse a Paulo: "meu Poder se aperfeiçoa na fraqueza".

Raras foram as vezes que a ouvi dizer: “Estou cansada”. Sempre perto. Sempre ouvindo. Era capaz de ouvir por horas sem falar nada sabendo que o que a gente precisava era justamente ser ouvido. Não tinha essa necessidade louca de ter sempre o que falar, embora quase sempre tivesse. Quando falava tinha a capacidade sobrenatural de me fazer enxergar de forma simples o que parecia confuso. Pegava um papel, uma caneta e desenhava a minha vida me explicando tudo. Nunca terminamos um bom papo sem que orasse por mim ou não pedindo que orasse por ela. Falava a verdade sempre. Falava com amor sempre.

Tive o privilégio de conviver com ela um pouco mais de um ano. Estivemos juntos vários domingos ministrando na Igreja de Cristo de Piracicaba. Deus foi bom conosco. Aprendi muito com essa mulher de fé e firmes convicções e pude ver de perto a materialização de II Coríntios 12:15 quando Paulo disse: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma”. Pude ver de perto a materialização do que Beto Tavares quis dizer na sua música que transcrevo a seguir.

Viver a vida; só valer a pena se é por Ti.
Olhos na eternidade, te seguir.
Faz valer a pena cada momento meu enfim
Teu coração se alegre em mim
Talvez morrer por Ti não seja não
O mais difícil afinal
O desafio é viver por Ti
Se pra viver a vida que me dá
Eu morro cada dia Pra que Tu vivas em mim
Então meu Amigo eu quero viver por Ti
Desfruta o melhor que há em mim
Aumenta o meu fervor, renova a minha paixão
Tu tens hoje todo o meu coração

 Muito obrigado Má, pela sua dedicação e amor. Por mostrar o Caminho da Graça, do Perdão e da vida plena em Deus.

Pra gente que fica aqui a estrada da vida continua. Nos cabe fazer com que todo investimento dela na nossa vida valha a pena. Ainda que haja lugar para tristeza, jamais haverá para o desespero. Ela está melhor do que qualquer um de nós. Ela foi para Casa.

Amo sua vida Maria de Oliveira Feliciano e deixo registrado aqui minha gratidão e homenagem. Meu coração está apertado, mas sei que vamos nos encontrar um dia.

Um beijo baixinha!

Até mais,

Fabrício.

5

de

outubro

O Centro do Evangelho; Cristo ou Necessidade?

 

Além da inspiração divina, que espero seja a essência do que escrevo, as coisas que escrevo vem do que leio, de conversas que eu tenho com pessoas, ou coisas que vejo ou vivencio me causando sensações que me motivam a pensar. E esse blog existe justamente para materializar aquilo que eu penso. Só depois que eu termino é que percebo se houve inspiração divina ou apenas dramaticidade por causa da imersão no que me propus a escrever que dá certa idéia de “sobrenaturalidade”. Só quem escreve sabe o que eu to querendo dizer com isso.

Para escrever tudo o que penso sobre esse assunto, que origina as perguntas do início, evidentemente sob éticas/óticas diferentes, ou seja, Cristo sendo o Centro contra a Necessidade sendo, certamente tenho que dividir esse texto em algumas partes, porque tenho sido alimentado por todas as fontes que citei.

Lendo Dietrich Bonhoffer, em seu estudo sobre a tentação, ele fala sobre a disputa que existe na busca da consciência a respeito de Deus e a necessidade do Pão. Ele usa como pano de fundo a resposta tão conhecida de Jesus à satanás: “… nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”.

Ao longo dos tempos houve de forma gradativa, vagarosa e perigosamente sutil, a descaracterização do lugar correto que os homens deram a Deus e ao Pão. A Igreja, enquanto organização, tem como parte do projeto de “redenção” para os homens, as necessidades materiais e físicas supridas; mas Deus não; pelo menos não como fim em si. Necessidade para Deus é instrumento, não matéria-prima. É meio e não fim. Para esse propósito Ele usa a Igreja.

Pensando assim, fica bem claro, pelo menos para mim, que quem tem uma Missão é Deus. A Igreja preserva sua saúde e crescimento natural sendo cumpridora da vontade de Deus, e, mais uma vez, enquanto organização dever ser relevante na comunidade onde foi plantada e, agora, enquanto organismo vivo espiritual, faz isso sem se envolver com os "negócios" e interesses deste mundo. Essa linha é muito fina, mas tem que ser respeitada para que ela, a igreja, não perca a razão de ser; agência da Missão de Deus na terra.

Na Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, a atitude devocional era cultivada e a sujeição à vontade soberana de Deus e à Sua Palavra, um reflexo de uma vida dinâmica em um relacionamento constante e profundo, movido por amor sincero que, como disse em outro texto num outro contexto, na sua essência não é o que você faz, mas o que renuncia e, nesse caso, sem expectativa alguma de recompensa futura, a não ser chegar ao lugar onde Ele disse que prepararia para àqueles que esperavam n’Ele. A necessidade era Ele. Os homens da Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, viviam e inspiravam os outros dessa forma.

Na Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, as necessidades materiais e físicas eram supridas uns pelos outros em amor, não por necessidade ou constrangimento, mas por amor a um Deus que amou primeiro e era isso que constrangia; ser amado primeiro sem razão de ser. Isso fazia de Deus a única necessidade. Porque tudo o mais que não era Ele havia. Por causa d’Ele, por meio d”Ele e para Ele. Fazei tudo [o mais] para glória de Deus, dizia o apóstolo. Paulo, o homem da Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, vivia e ensinava isso.

Segundo o livro de São João, no capítulo primeiro, Jesus é a manifestação plena de Deus ao dizer que Ele era o Verbo e esse Verbo se fez carne e habitou entre nós cheio de graça e de verdade e pudemos ver a sua glória, a glória do Filho de Deus.

Sendo Jesus Cristo a manifestação plena de Deus, sendo Deus um com Jesus Cristo e conjuntamente sendo O Verbo, ou seja a Palavra, encontramos não uma unidade ou soma de unidades, mas temos aqui unicidade: Jesus, Deus e a Palavra, que é o Verbo Vivo, sendo um só.

Jesus Cristo é o Centro do Evangelho na Igreja do Evangelho, do Novo testamento. Essa é a Mensagem da Igreja do Evangelho, do Novo Testamento. Porque Cristo é o Centro do Evangelho, faz com que esse Evangelho tenha uma essência divina e espiritual que faz com que os efeitos causados pela Mensagem desse Evangelho sejam poder transformador para todo aquele que toma forma dessa Mensagem, que se adequa a ela.

Quando o centro muda, a essência muda; quando a essência muda, a mensagem muda; quando a mensagem muda, os efeitos mudam. Na igreja onde o Centro do Evangelho é a Necessidade, a essência é carnal; a essência sendo carnal, a mensagem é materialista; sendo a mensagem materialista, os seus efeitos, além de desastrosos ao formar pessoas que aprendem a padronizar as ações Divinas relacionando-as com seus desejos atendidos, determinando a bondade e a fidelidade de Deus quando Ele dá o que querem, esses efeitos são também mundanos.

Sequência lógica:

EVANGELHO = CENTRO/CRISTO; ESSÊNCIA/DIVINO-ESPIRITUAL; MENSAGEM/PODER; EFEITO/TRANSFORMADOR

EVANGELHO = CENTRO/NECESSIDADE; ESSÊNCIA/CARNAL; MENSAGEM/MATERIALISTA; EFEITO/DESASTRE-MUNDANISMO

Tenho muita coisa para dizer ainda. O que você está lendo foi editado por mim algumas vezes. Me forcei a apagar coisas que, embora façam parte do tema, estavam me fazendo ampliar demais o raciocínio e isso é algo que precisa ser refletido com calma.

Não sei se o evangelho pregado nas igrejas é O Evangelho mesmo, o do Novo testamento. Quando penso nas últimas mensagens ou orações que ouvi nos últimos tempos, me fazem perguntar qual seja o Centro desse Evangelho que inspira mensagens e orações. E você?

Até mais;

Fabrício.

4

de

agosto

Fidelidade é facultativa!

  Dia desses estava procurando algo na internet, que não lembro ao certo agora o que era, mas encontrei uma resposta que uma psicóloga dava a um rapaz que dizia “amar” sua namorada, mas não conseguia ser fiel a ela. Essa psicóloga, que não vou citar o nome, diz várias coisas boas e muitas coisas sem sentido, como a maioria de nós que se atreve a dizer o que pensa. Dentre as coisas que disse, uma me chamou muito a atenção; disse que a fidelidade é facultativa.

Vamos para as definições: FIDELIDADE – qualidade de quem é fiel; observância da fé jurada e devida; lealdade; firmeza; afeição dedicada e constante; honestidade; exatidão. FACULTATIVO – que dá a faculdade ou o poder de; que permite que se faça ou não se faça uma coisa;

Quando ouço alguém me dizer que a fidelidade é facultativa interpreto, segundo as definições que se apresentam, que eu posso decidir, escolher, diante de um pacto ou aliança, consciente ou inconscientemente agir ou não com honestidade, lealdade, firmeza e exatidão. Gosto da definição observância da fé jurada e devida, porque exige uma resposta ativa diante da contraparte, ou seja, de observância, de prática efetiva, mas gosto especialmente da palavra exatidão porque ela me remete ao pensamento de que ser fiel é ser exatamente da forma que essa relação exige. Fidelidade envolve um relacionamento, pois se sou fiel, sou a alguém ou a alguma coisa ou causa.

Não penso ser a fidelidade algo facultativo. São palavras que definitivamente não combinam, nem sequer podem subsistir entre si. O amor é facultativo; eu decido amar, eu escolho amar; o amor é uma disposição de alma, de corpo e de espírito que decide assumir alguém como é, se dispõe a superar os limites, se dispõe a mudanças significativas pela única razão de ser, o próprio amor, que na sua essência não é o que você faz, mas o que renuncia.

É decidir fazer alguém feliz. Não acho que deve ficar cego e mudo quanto às coisas que nos incomodam no outro, acho que tem que falar do jeito que gosta ou gostaria que as coisas fossem, mas de qualquer forma, eu decido se passo por cima do que parece não haver mudança ou continuo insistindo. Até onde se vai numa relação é facultativo, eu escolho se aceito as mudanças que não vem e nunca virão e pago o preço por isso, ou pulo fora. Entrar num relacionamento é facultativo.

Fidelidade é obrigatória; se não é capaz de ser fiel se obrigue a ir embora; porque é obrigação respeitar alguém que é fiel ao sentimento que diz ter e age de acordo com esse sentimento. Muitas coisas são facultativas, mas muitas são obrigatórias. Perder isso de vista tem transformado o mundo no que é hoje; gente sem sentimento de valor próprio e muito menos sentimento de valor pelo principal, os outros. E a obrigatoriedade de ser fiel está relacionada a todos os tipos de relacionamentos, inclusive com coisas e causas, como disse anteriormente ao definir as palavras que formam os pilares dessa reflexão.

Se você tolera o que critica está sendo infiel ao se perguntar o “porquê” das coisas estarem do jeito que estão invés de se perguntar “como” pode ser um agente de transformação da situação que tanto lhe incomoda mas não te faz fazer algo.

Esse rapaz que escreve àquela psicóloga descreve sua (infeliz) namorada como a mãe perfeita, a mulher admirável, linda, educada, fina e inteligente, e ainda assim não consegue ser fiel. Não me resta dúvida de que ele a tem não mais que um troféu que ele gosta de ter do lado, alguém que chame atenção de homens e mulheres e, assim, ele pegue uma carona.

Ela é um troféu e só; você não se relaciona com um troféu, você só mostra um troféu. O troféu mostra que você foi o melhor um dia; que um dia teve a melhor performance, mas não significa que você é o melhor todos os dias. Desempenhar está relacionado com fazer, o que é muito diferente de ser.

O canadense Ben Johnson teve o melhor desempenho nas Olimpíadas de Seul em 1988, recebeu a medalha de ouro como o homem mais rápido do mundo quando percorreu 100 metros em 9.79 segundos. Teve que devolver a medalha e foi banido do esporte anos mais tarde, em 1993, pela farsa na Olimpíada, estava dopado; não estava exatamente como deveria estar no momento da corrida.

Se Ben Johnson tivesse sido fiel ao que era, um atleta profissional, se tivesse sido fiel à nobreza da competição que disputava, poderia ter sido o último naquela corrida, mas genuinamente estaria entre os oito homens mais rápidos do mundo. Estar entre os oito não era suficiente, ele queria se apresentar para os outros como o melhor mesmo que fosse desleal. Ele podia realizar, podia desempenhar, mas não podia ser, pelo simples fato de não ser fiel.

No caso desse rapaz, ele precisa andar com esse troféu todos os dias para parecer melhor do que realmente é para que os outros possam vê-lo como aceitável, e acho que para se sentir aceito por ele mesmo; ele nem sabe quem ele é, pensa que é possível conciliar o que ele acha que sente com o jeito que ele realmente escolheu ser.

Ele escolheu ser assim, é facultativo; que escolha também não assumir compromisso com ninguém, porque se assumir respeite, seja fiel, é obrigatório.

Até mais;

Fabrício.

25

de

agosto

Lugares Seguros no Deserto….

       Nesses dias tenho me alimentado da vida de Davi. O homem segundo o coração de Deus revela também o coração de um homem que sabe enfrentar os desertos da vida. Deserto é lugar de incertezas, de medos e fragilidades à flor da pele.

Deserto não é um lugar que eu gostaria de passar minhas férias. Talvez você já tenha ido para um deserto e ache que eu esteja falando do que não sei. A não ser que esse deserto seja o de Dubai, dentro do hotel mais luxuoso do mundo, não quero ir para lá. O deserto fica fácil assim. Mas o deserto que eu falo é aquele que descrevi a pouco.

Deserto era um lugar familiar para Davi. Durante grande parte das suas lutas e dificuldades foi lá, no deserto, que ele se refugiou. E em uma dessas experiências de Davi no deserto é que extraio para minha vida algumas lições que tem me ajudado muito em tempos difíceis e que desejo compartilhar aqui.

Depois de um tempo de conquistas, onde Davi alcançava notoriedade no meio do seu povo, ele é obrigado a sair em fuga por causa da fúria de Saul, que se incomodava com seu sucesso. Davi é obrigado a se refugiar no meio dos filisteus se fingindo de doido para poder se esconder no meio dos maiores inimigos de Israel. Ele chegou ao ponto de simular que babava fazendo com que a sua saliva escorresse pela barba.

De herói a maluco em pouco tempo. Certamente esse deve ter sido um tempo de muita humilhação. Ele acaba sendo expulso do meio dos filisteus. Segundo Aquis, rei dos filisteus, Gate, a cidade deles, já haviam muitos loucos para que pudéssem aceitar mais um de fora. Davi é obrigado a fugir de sua terra e é expulso da onde ele achou que seria um bom lugar para se esconder de Saul.

Algumas coisas acontecem depois disto e Davi vai parar em uma cidade chamada Queila. Saul é avisado que ele estava lá e vai para matá-lo. Agora é Davi quem é avisado que Saul estava indo à Queila. Mais uma vez ele tem que fugir e a Bíblia diz que ele saiu sem rumo certo ( I Samuel 23.14), a não ser por um detalhe; esse lugar sem rumo certo se chamava deserto.

Deus sempre esteve com Davi desde o dia que foi ungido por Samuel (I Samuel 16.13). Era por isso que ao sair para as batalhas sempre voltava em vitória. Deus está sempre presente. No tempo das vitórias e no tempo dos desertos. E a vida de Davi provava isso.

Em I Samuel 23.14 diz que mesmo permanecendo no deserto, Deus preparou lugares seguros para Davi. Deus está no controle da sua vida? Certamente Ele reserva para você lugares seguros dentro desse deserto que tem que enfrentar. Outra versão da Bíblia diz que Davi permaneceu nas fortalezas no deserto. A presença de Deus não é garantia de ausência de desertos. Um não elimina o outro. Mas a presença de Deus na minha vida pode me garantir lugares seguros, até mesmo no deserto.

Embora Saul saísse com seu esquadrão da morte todos os dias para o buscar, Deus não permitia que Davi fosse encontrado. Não era qualquer lugar estratégico no deserto que dava segurança à Davi, a estratégia no deserto é tentar permanecer vivo, mas a vontade de Deus. Ele estava presente na vida de Davi. Isso dava a ele segurança. Com Deus, deserto pode ser lugar onde encontramos segurança. Sem Deus, qualquer fortaleza não pode garantir a mesma coisa.

A segunda coisa que me ensina essa experiência de Davi, é que o deserto com Deus pode se transformar em lugar de encorajamento e consolo. Deus levanta Jonatas para fortalecer a confiança de Davi em Deus (ISamuel 23.16).

Jonatas faz Davi se lembrar que as promessas de Deus permaneciam as mesmas. Jonatas diz à Davi: "você vai ser rei em Israel. Não tenha medo". Talvez naquele deserto, tendo ao seu lado um exército de gente individada e amargurada de espírito, essa promessa havia se perdido, mas Jonatas estava ali para lembrá-lo. Qualquer período no deserto pode ter feito você perder a fé; o ânimo; a alegria. Mas no meio do deserto Deus envia alguém para trazer consolo e encorajamento.

E por último, Davi nos mostra que o deserto é lugar de fazer aliança com Deus e alianças em Deus.

Tenho aprendido que as pessoas que nos cercam formam os alicerces da nossa vida. Talvez seja hora de avaliarmos com quem fazemos alianças.

Essa era a última vez que Jonatas se encontrava com Davi. Eles jamais se veriam depois, mas a aliança permaneceu. Aliança não é algo presencial onde só se é fiel a ela com a presença dos aliançados. Ela rompe o tempo e supera as circunstâncias. Anos mais tarde, Jonatas já havia morrido, mas Davi é fiel a aliança que fizeram honrando a Mefibosete, filho de Jonatas (II Samuel 9.1-13). Muitas vezes fazemos alianças com pessoas que, por circuntâncias, nos deixam para trás. Eu não escolho com quem me encontro do decorrer da minha vida, mas posso escolher com quem faço alianças.

Os dias não tem sido fáceis. Mas posso olhar para trás e ver que Deus tem me guardado em lugares seguros; tem levantado amigos que tem me consolado e encorajado; e dado a mim a possibilidade de fazer alianças que permaneçam.

Até mais;

Fabrício.

20

de

agosto

O Peso Eterno de Glória

Tenho pensado em duas coisas nesses dias. Achei que iria escrever dois textos mas descobri que eles se confundem; na verdade se misturam. A primeira idéia nasceu de algo que ouvi de um pregador ontem mesmo. O apóstolo Paulo não fala sobre felicidade, ele fala de contentamento. É verdade.

Para a maioria das pessoas felicidade se relaciona com sucesso e a Bíblia também não fala sobre sucesso, ela fala de coração. O sucesso que Deus vê é diferente daquele que nós vemos. Os parâmetros são diferentes. Interessante como somos chamados constantemente por Deus para ver as coisas de um modo diferente do que estamos acostumados. Ele fez isso com Samuel quando pediu que fosse escolher o novo rei de Israel. Samuel foi tentado a decidir fundamentado naquilo que seus olhos viam, ou seja, pela aparência. "Não é por aí" disse Deus. É como se dissesse "o rei que eu escolho não precisa parecer rei, precisa ter coração de um rei".

Já escrevi algo sobre isso, mas gostaria de tratar um pouco mais da questão usando a palavra contentamento. Felicidade sem contentamento é só um sentimento e, sentimentos, todos eles passam. Já amamos e passou; já ficamos com raiva e passou; ficamos angustiados um dia e passou; tristes muitas vezes mas também passou. Tudo o que é sentimento passa. Felicidade também.

Assim como o amor precisa ser regado para se manter vivo, o que rega a felicidade é o contentamento.

Paulo descobriu isso. Não eram as circunstâncias que determinavam seu estado de espírito. Ele aprendeu a viver contente. E é nesse ponto que entra o segundo pensamento que tenho tido.

Paulo, em um determinado momento da sua vida fala sobre "peso eterno de glória". O que me deixa admirado é o contexto que ele usa essa expressão. No contexto ele usa expressões como: atribulados; perplexos; perseguidos; abatidos; entregues à morte; e depois disso tudo ele conclui seu pensamento dizendo:

"porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas". (II Coríntios 4.17-18)

Eu não sei como você vê isso, mas eu fico incomodado. Até quando nossos olhos vão estar fixados nas coisas que vemos somente? A nossa vida é uma constante troca do que tem eterno peso de glória por coisas que representam o aqui e o agora. A fonte do contentamento de Paulo era justamente o seu foco, seu alvo, seu objetivo. Seus olhos estavam fixos em Cristo; sempre n’Ele. Muitos entre nós são diferentes, as circunstâncias determinam suas vidas. A fidelidade de muitos é determinada pelos olhos. Conheço algumas histórias que comprovam isso. Você também conhece.

Ele está em um barco no meio do mar, o vento está forte e a noite está escura. Vê um vulto andando sobre as águas, quando chega mais perto sabe quem é e fica feliz por vê-lo ali e pergunta: posso ir até você? e a resposta vem com a mesma alegria: venha. Aquele homem sai do barco e incrivelmente anda por sobre as águas. Então seus olhos começam a ver as ondas e o movimento delas, muda o foco da sua visão, tem medo e começa a afundar. Seu nome é Pedro. Alguém igual a mim e a você. Veja só.

Está tudo bem com você. Nunca se importou muito com as coisas, com status. Nunca se preocupou em ser aceito pelos outros amigos. Então seus olhos começam a ver aquele lançamento da marca de tênis famosa. É muito caro, mas nesses dias, o que é que você conquista sem fazer sacrifícios? Quase nada. Ainda mais um jovem como você. Vale a pena, segundo os seus olhos, diminuir um pouco a oferta ou esperar que as doze prestações do tênis se acabem para poder voltar a dar o dízimo integralmente com fidelidade como sempre fez.

Mais uma história. É claro que você está feliz com ela. Tantos anos juntos. Ele engordou um pouco, é verdade, tem algumas marcas de expressão, mas na sua mente ela é igualzinha ao dia que vocês se conheceram. Um presente de Deus para sua vida. Então seus olhos começam a ver a moça que senta perto da sua mesa no escritório. Ela é linda. Parece que nunca vai ficar velha; não, essa aí não. Você percebeu que quando ela sorriu para você hoje foi diferente dos outros dias. Haveria problema convidá-la para um almoço? você se pergunta e dá a resposta a si mesmo; claro que não.

Quer mais uma? A igreja estava lotada. A mensagem foi tremenda. Você saiu muito renovado. Chega em casa tarde pois ficou lá conversando com o pessoal, não quis ir embora, estava tão bom ali. Vai ao computador para checar seus e-mails. Então seus olhos começam a ver aquele anúncio sensual que salta em sua direção, você diz: Tá amarrado! fecha aquilo e entra em seus e-mails. Lê alguns, deleta outros sem mesmo ler pois eram aqueles irritantes com apresentações no Powerpoint com imagens de uma girafinha nascendo ou coisas do tipo. Responde os que lhe interessam e sai. Então, liga a televisão só para pegar no sono e, mais uma vez você é bombardeado com uma imagem igualzinha àquela que viu minutos antes. Só que dessa vez ela atinge seu coração e você está sozinho.

Existem outros exemplos. Outras histórias. Mas elas se repetem de formas diferentes mas com o mesmo espírito. A troca do que tem peso eterno de glória pelo aqui e agora.

A pressão pode ser grande para trocarmos e ela é. Mas não foi diferente com Paulo. Mas ele sabia que o que lhe reservava no futuro não dava para se comparar com o que poderia ter em qualquer breve momento no aqui e no agora.

Existem várias perguntas que me vem à mente nesse momento. Que fé é essa que temos vivido? Que tipo de evangelho tem fundamentado essa fé? Por que, muitos de nós, não vivemos de verdade a fé da esperança do tempo que há de vir? Por que falamos de céu, de morar com Deus e enterramos nossas vidas nos valores dessa terra e em tudo o que ela nos oferece aqui?

Quero viver da seguinte forma: as circunstâncias não vão mexer comigo; qualquer coisa será menos importante do que agradar o coração de Deus; meus olhos estarão fixos em Deus e nada vai me tirar do meu foco; quero falar de céu e acreditar que ele virá; não vou trocar o que tem peso eterno de glória por aquilo que é passageiro.

Até mais;

Fabrício.

12

de

janeiro

Caso Estevam e Sônia Hernandes

Tenho visto algumas manifestações sobre o caso dos líderes da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes, tanto na internet como fora dela. A maioria desses comentários vêm de cristãos indignados com esse escândalo que se tornou público nesses dias.

Jesus disse em Lucas 17.1 que os escândalos seriam inevitáveis, mas ai do homem pelo qual eles vêm. Esse não é um caso de perseguição gratuíta por causa do evangelho, o ministério deles têm muita fumaça. Mas quero abordar um outro lado que tem me incomodado um pouco. As palavras mais duras e ofensivas tem vindo dos evangélicos.

Acredito que o que está oculto deve ser revelado, que as falcatruas devam ser desmascaradas, e que sejam trazidas à luz toda a sujeira. Punição aos culpados e que sirvam de exemplo, mas:

Só não concordo que a gente, os evangélicos, é que sejam os propagadores de notícias como essas como se fôssemos parte dos perseguidores, ou mesmo seus colaboradores, pois é o que alguns de nós estamos sendo. Alguns sites evangélicos espalham a notícia como se fossem links do "Cidade Alerta". Esse é o papel de perseguidor. É verdade que tem um agravante, eles tem motivos para isso. Mas para quem persegue, sendo verdade ou sendo mentira (sei que agora é verdade) vão ao ataque com o mesmo ímpeto. Estevam e Sônia são culpados. Não estou justificando o que eles fizeram, que sejam presos e não pequem de novo dizendo que foi por causa do Evangelho.

Foi uma pena o que aconteceu. Não eles serem pegos, estarem às portas da cadeia, mas o que fizeram, a sua queda, não a exposição agora, isso é o resultado, ou acharam que Deus continuaria "abençoando os seus negócios"?, mas quando tudo começou, nas pequenas coisas que ao longo do tempo (um abismo chama outro - Salmo 42.7) foram crescendo. Foram pessoas que notadamente se perderam no meio do caminho, que podem até ter começado por uma direção divina e no meio da sua história desviaram o foco deixando de ser cristocêntricos para se tornarem egocêntricos. E como diz um amigo virtual (já o considero assim se permitir) criaram o "seu deus", sua forma de "adoração" e outras coisas mais.

Minha posição é: Quero tudo às claras. Mas não quero fazer parte do coro e nem ser achado com uma pedra na mão. Lembrando o que disse Moody: "Dizer a verdade com o objetivo de ferir ou atacar também é difamação". Quer queiramos ou não, isso também é pecado.

Não me omito diante dos fatos, e dizem que contra eles não há argumentos.

Não quero ser o "mais" santo, e nem tem o "mais" quando o assunto é santidade, ou é ou não é, mas oro por eles.

Que Deus tenha misericóridia de suas vidas e que se faça a justiça, a que for decidida pelas autoridades que foram intuídas por Deus, mas que acima de tudo, tenham seus corações restaurados, suas vidas transformadas e voltem ao primeiro amor. Que Deus tenha misericórdia de seus familiares e amigos. Que Deus tenha misericórdia de todo um povo espalhado pelo Brasil inteiro que frequenta os mais de 1.500 templos desta igreja, o que significa que existem muito mais de 1.500 pastores que, na sua grande maioria, não tem parte nessa sujeira toda. São homens e mulheres de Deus.

E quanto a nós, os demais que ainda não caíram ou não foram pegos? Que Deus tenha misericórdia de nós e que achemos a mesma misericórdia que temos dispensado a outros (Oração do Pai Nosso).

Até mais;

Fabrício.

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