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Ricardo Gondim, em uma de suas mensagens, diz uma frase que descreve a essência da igreja de nosso tempo. Me diga quais são as suas necessidades que eu digo quem você é. Quando eu identifico as coisas que são importantes para uma pessoa consigo, de um modo geral, saber quem ela é.
Quando percebo em alguém, o dinheiro sendo a coisa mais importante, facilmente sei que o preço das coisas, em sua visão, é mais importante do que valor que elas tem. Para essa pessoa, o que se pode comprar caracteriza sucesso e sentido de realização.
Quando vejo em alguém obsessão pela aprovação das outras pessoas, vejo alguém que é inseguro em relação a si mesmo, tomado por complexo de inferioridade, onde os aplausos suprem a pequenez com que enxerga a si mesmo, mesmo que inconscientemente.
Deus sabe de todas as coisas. Sabe quem nós somos mesmo antes da nossa existência, mas humanamente falando, pela minha ótica, Deus sabe quem nós somos pelo tipo de oração que fazemos.
Sem levar em consideração nossa responsabilidade pessoal pelas escolhas que fazemos, não descarto, de modo nenhum, a forma como temos sido induzidos a formatar um tipo de oração que leva as nossas necessidades ao centro da existência humana, e dentro deste aspecto quero continuar agora a segunda parte do tema que estava desenvolvendo antes.
No texto anterior, embora sem me aprofundar muito, cito a disputa que existe dentro da consciência humana sobre a existência de Deus e a necessidade de um relacionamento de intimidade com ele e a necessidade do Pão. O que é mais importante? O que me chama mais a atenção? Pão ou Deus? Esse é o espírito do confronto entre Cristo e Satanás no deserto. Cristo determina as reais prioridades demonstrando que, embora o Pão tenha a sua importância, nem de perto é o mais importante. Fundamentado na resposta de Jesus, Paulo desenvolve seu pensamento de que a vida biológica, que depende da necessidade do Pão sendo suprida, só tinha razão de ser em Cristo. Ele diz em sua carta aos Filipenses 2.20-25:
O meu grande desejo e a minha esperança são de nunca falhar no meu dever, para que, sempre e agora ainda mais, eu tenha muita coragem. E assim, em tudo o que eu disser e fizer, tanto na vida como na morte, eu poderei levar outros a reconhecerem a grandeza de Cristo. Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro. Mas, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho útil. Então não sei o que devo escolher. Estou cercado pelos dois lados, pois quero muito deixar esta vida e estar com Cristo, o que é bem melhor. Porém, por causa de vocês, é muito mais necessário que eu continue a viver. E, como estou certo disso, sei que continuarei vivendo e ficarei com todos vocês para ajudá-los a progredirem e a terem a alegria que vem da fé. (ntlh)
Se para Paulo existia uma razão para continuar vivendo, essa razão estava intimamente relacionada com a necessidade dos outros, e não nas dele, pois estava claro que sua maior necessidade era estar perto de Cristo.
Mas alguém, movido por não sei quem, conseguiu fazer do pão moeda de troca. Necessidade virou fim. E o pior, vivem, inspiram e ensinam outros a viverem da mesma forma. A virada de mesa da necessidade como um fim fez brotar dentro da igreja, sem generalizar é claro, materialismo, que é abastecido pelo capitalismo, que é regido pelo mundanismo, que encontra razão de ser na carnalidade. Homens e mulheres dessa nova/velha igreja deixaram de ser pregadores e agora são conferencistas, os pastores agora são psicoterapeutas e os mestres agora são pedagogos. Sabe por quê? Para poder atender às necessidades, dos outros e de si mesmos.
Quase tudo o que diz respeito à igreja de hoje está relacionado com perdas e conquistas. É mais ou menos assim, pense se já viu isso em algum lugar:
“você anda a pé ou se submete a andar de ônibus, está desempregado e sem dinheiro, até hoje não se casou, paga aluguel? Você não tem fé! Não seja um derrotado, não viva na miséria! Deus é poderoso para fazer de você um vencedor! Eu trago sobre sua vida uma palavra profética, pois é isso que eu sou, um profeta! Vai lá em casa pra você ver, sirvo à Deus com integridade e fidelidade; veja lá na minha garagem, tem três carros, dois importados; porque eu vivo pela fé. Deus é maravilhoso! Minha esposa queria fazer uma plástica. Ela estava muito triste e eu queria pagar uma plástica pra ela, mas irmãos, somos servos de Deus, vivemos pela fé. Irmãos, Deus é fiel. Chamei minha esposa, oramos e pedimos que Deus criasse meios pra que conseguíssemos essa vitória. No dia seguinte o telefone do meu escritório não parou de tocar, foram vários convites para ministrar em várias conferências por todo país e em duas oportunidades fui para o exterior. Foi difícil pois eu fiquei 23 dias fora de casa ministrando. A gente tem que fazer sacrifícios se não a vitória não vem. Esse é o Deus que nós servimos! Como eu pagaria isso se não fosse o dinheiro das ofertas vindas das igrejas onde estive ministrando? Venha para o Altar e tenha sua vida transformada também”.
Já ouviu isso antes? Essa foi só uma faceta. O que pensa alguém que sai de uma reunião dessas? Uma igreja com homens que não servem AO Evangelho, mas se servem DO Evangelho. Adulteram a mensagem, subvertem a Igreja que é Casa de Oração, no sentido espiritual não físico, que significa relacionamento de intimidade e usam Deus como meio para atingir as Necessidades, que são, para essa nova/velha igreja: falta de dinheiro, problemas sentimentais/emocionais e doenças.
Hoje os pastores vivem com suas agendas lotadas, porque se não for assim, não conseguem sustentar seus ministérios. Não preciso falar. Está aí para todo mundo ver. Ministérios que levam seus nomes expostos nos banners com fotos gigantescas, certamente para que “Cristo cresça e eles diminuam”. Mas faz sentido. São ministérios sustentados por eles mesmos. Eles se promovem. E para ajudar criaram os “Cartões de Fidelidade” para aqueles que ajudam a sustentar os seus chamados.
Tudo isso tem se tornado um círculo vicioso, leia meu artigo “Pastores Ruins? Ovelhas Também…” (http://fabriciodeoliveira.blog.terra.com.br/pastores_ruins_ovelhas_tambem), e vai ver que já falei um pouco sobre isso. As pessoas são atraídas pelas promessas de suas necessidades supridas. Alguns chamam isso de estratégia de evangelismo. Eu chamo de perversão do evangelho. Quem anda no meio das pessoas sabe o tipo de cristãos que esse sistema tem formado.
Diante disso tudo pode surgir a pergunta: Que igreja eu devo ir? Você deve ir a uma igreja onde seus pastores pregam somente a palavra de Deus e vivem uma vida digna, com simplicidade e sem ostentação. Você deve freqüentar uma igreja que se preocupa com os pobres, com as viúvas e encarcerados. E preocupação aqui não é somente pagar a conta de luz, aluguel ou cestas básicas, mas é amor mesmo.
Você deve freqüentar uma igreja onde os pastores são pastores fora do púlpito e suas vidas são melhores mensagens do que as que eles pregam no domingo.
Tem muita igreja e gente séria espalhada por aí, mas cada ano que passa elas são mais minoria ainda. Assim como Rick Warren, penso que a resposta e a solução para o nosso mundo estejam na Igreja. Mas estão na igreja que Jesus estabeleceu. Naquela que é reflexo de quem Ele é. Tudo o que Jesus espera daqueles que o servem, pastores ou ovelhas, está no Evangelho de Mateus capítulo 5:1 até 7:28. O que passar disso esqueça.
Até mais,
Fabrício.