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Fabrício de Oliveira: faolliver@terra.com.br; prfabricio@hotmail.com

4

de

agosto

Fidelidade é facultativa!

  Dia desses estava procurando algo na internet, que não lembro ao certo agora o que era, mas encontrei uma resposta que uma psicóloga dava a um rapaz que dizia “amar” sua namorada, mas não conseguia ser fiel a ela. Essa psicóloga, que não vou citar o nome, diz várias coisas boas e muitas coisas sem sentido, como a maioria de nós que se atreve a dizer o que pensa. Dentre as coisas que disse, uma me chamou muito a atenção; disse que a fidelidade é facultativa.

Vamos para as definições: FIDELIDADE – qualidade de quem é fiel; observância da fé jurada e devida; lealdade; firmeza; afeição dedicada e constante; honestidade; exatidão. FACULTATIVO – que dá a faculdade ou o poder de; que permite que se faça ou não se faça uma coisa;

Quando ouço alguém me dizer que a fidelidade é facultativa interpreto, segundo as definições que se apresentam, que eu posso decidir, escolher, diante de um pacto ou aliança, consciente ou inconscientemente agir ou não com honestidade, lealdade, firmeza e exatidão. Gosto da definição observância da fé jurada e devida, porque exige uma resposta ativa diante da contraparte, ou seja, de observância, de prática efetiva, mas gosto especialmente da palavra exatidão porque ela me remete ao pensamento de que ser fiel é ser exatamente da forma que essa relação exige. Fidelidade envolve um relacionamento, pois se sou fiel, sou a alguém ou a alguma coisa ou causa.

Não penso ser a fidelidade algo facultativo. São palavras que definitivamente não combinam, nem sequer podem subsistir entre si. O amor é facultativo; eu decido amar, eu escolho amar; o amor é uma disposição de alma, de corpo e de espírito que decide assumir alguém como é, se dispõe a superar os limites, se dispõe a mudanças significativas pela única razão de ser, o próprio amor, que na sua essência não é o que você faz, mas o que renuncia.

É decidir fazer alguém feliz. Não acho que deve ficar cego e mudo quanto às coisas que nos incomodam no outro, acho que tem que falar do jeito que gosta ou gostaria que as coisas fossem, mas de qualquer forma, eu decido se passo por cima do que parece não haver mudança ou continuo insistindo. Até onde se vai numa relação é facultativo, eu escolho se aceito as mudanças que não vem e nunca virão e pago o preço por isso, ou pulo fora. Entrar num relacionamento é facultativo.

Fidelidade é obrigatória; se não é capaz de ser fiel se obrigue a ir embora; porque é obrigação respeitar alguém que é fiel ao sentimento que diz ter e age de acordo com esse sentimento. Muitas coisas são facultativas, mas muitas são obrigatórias. Perder isso de vista tem transformado o mundo no que é hoje; gente sem sentimento de valor próprio e muito menos sentimento de valor pelo principal, os outros. E a obrigatoriedade de ser fiel está relacionada a todos os tipos de relacionamentos, inclusive com coisas e causas, como disse anteriormente ao definir as palavras que formam os pilares dessa reflexão.

Se você tolera o que critica está sendo infiel ao se perguntar o “porquê” das coisas estarem do jeito que estão invés de se perguntar “como” pode ser um agente de transformação da situação que tanto lhe incomoda mas não te faz fazer algo.

Esse rapaz que escreve àquela psicóloga descreve sua (infeliz) namorada como a mãe perfeita, a mulher admirável, linda, educada, fina e inteligente, e ainda assim não consegue ser fiel. Não me resta dúvida de que ele a tem não mais que um troféu que ele gosta de ter do lado, alguém que chame atenção de homens e mulheres e, assim, ele pegue uma carona.

Ela é um troféu e só; você não se relaciona com um troféu, você só mostra um troféu. O troféu mostra que você foi o melhor um dia; que um dia teve a melhor performance, mas não significa que você é o melhor todos os dias. Desempenhar está relacionado com fazer, o que é muito diferente de ser.

O canadense Ben Johnson teve o melhor desempenho nas Olimpíadas de Seul em 1988, recebeu a medalha de ouro como o homem mais rápido do mundo quando percorreu 100 metros em 9.79 segundos. Teve que devolver a medalha e foi banido do esporte anos mais tarde, em 1993, pela farsa na Olimpíada, estava dopado; não estava exatamente como deveria estar no momento da corrida.

Se Ben Johnson tivesse sido fiel ao que era, um atleta profissional, se tivesse sido fiel à nobreza da competição que disputava, poderia ter sido o último naquela corrida, mas genuinamente estaria entre os oito homens mais rápidos do mundo. Estar entre os oito não era suficiente, ele queria se apresentar para os outros como o melhor mesmo que fosse desleal. Ele podia realizar, podia desempenhar, mas não podia ser, pelo simples fato de não ser fiel.

No caso desse rapaz, ele precisa andar com esse troféu todos os dias para parecer melhor do que realmente é para que os outros possam vê-lo como aceitável, e acho que para se sentir aceito por ele mesmo; ele nem sabe quem ele é, pensa que é possível conciliar o que ele acha que sente com o jeito que ele realmente escolheu ser.

Ele escolheu ser assim, é facultativo; que escolha também não assumir compromisso com ninguém, porque se assumir respeite, seja fiel, é obrigatório.

Até mais;

Fabrício.

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5 Comentários »

  1. Comentário por Ju Miranda — 4 04UTC agosto 04UTC 2008 (21:31)

    muito bom o texto… realmente… ser fiel… ser verdadeiro… é obrigatório… mas a maioria não é assim… não age assim… e sempre encontra uma justificativa para a falta de fidelidade… porém acredito que não há justificativa… e sim falta de amor… amor próprio e amor pelo outro…

  2. Comentário por Madalena — 5 05UTC agosto 05UTC 2008 (8:12)

    Oi Fa, realmente muito bom o texto. Aliás, você devia escrever mais, tem talento!

    Um grande abraço,
    Mada.

  3. Comentário por Tuca — 6 06UTC agosto 06UTC 2008 (9:56)

    Fa nao sabia deste teu talento!!
    Voce è pastor? O q està fazendo?
    Amei!!!Deus te abençoe, agora q conheço teu Blog vo uler todas as mensagens!!

  4. Comentário por Silvia — 14 14UTC agosto 14UTC 2008 (14:23)

    Muito bommmmmm. Voce deveria escrever com mais frequencia.bjs

  5. Comentário por Dayana — 15 15UTC agosto 15UTC 2008 (21:38)

    Gostei muito!!

    Especialmente:
    “o próprio amor, que na sua essência não é o que você faz, mas o que renuncia.”

    Eu acredito nisso.

    Escreva mais. Escreva sempre.

    Um grande abraço,
    Day

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