5
de
outubro
O Centro do Evangelho; Cristo ou Necessidade?

Além da inspiração divina, que espero seja a essência do que escrevo, as coisas que escrevo vem do que leio, de conversas que eu tenho com pessoas, ou coisas que vejo ou vivencio me causando sensações que me motivam a pensar. E esse blog existe justamente para materializar aquilo que eu penso. Só depois que eu termino é que percebo se houve inspiração divina ou apenas dramaticidade por causa da imersão no que me propus a escrever que dá certa idéia de “sobrenaturalidade”. Só quem escreve sabe o que eu to querendo dizer com isso.
Para escrever tudo o que penso sobre esse assunto, que origina as perguntas do início, evidentemente sob éticas/óticas diferentes, ou seja, Cristo sendo o Centro contra a Necessidade sendo, certamente tenho que dividir esse texto em algumas partes, porque tenho sido alimentado por todas as fontes que citei.
Lendo Dietrich Bonhoffer, em seu estudo sobre a tentação, ele fala sobre a disputa que existe na busca da consciência a respeito de Deus e a necessidade do Pão. Ele usa como pano de fundo a resposta tão conhecida de Jesus à satanás: “… nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”.
Ao longo dos tempos houve de forma gradativa, vagarosa e perigosamente sutil, a descaracterização do lugar correto que os homens deram a Deus e ao Pão. A Igreja, enquanto organização, tem como parte do projeto de “redenção” para os homens, as necessidades materiais e físicas supridas; mas Deus não; pelo menos não como fim em si. Necessidade para Deus é instrumento, não matéria-prima. É meio e não fim. Para esse propósito Ele usa a Igreja.
Pensando assim, fica bem claro, pelo menos para mim, que quem tem uma Missão é Deus. A Igreja preserva sua saúde e crescimento natural sendo cumpridora da vontade de Deus, e, mais uma vez, enquanto organização dever ser relevante na comunidade onde foi plantada e, agora, enquanto organismo vivo espiritual, faz isso sem se envolver com os "negócios" e interesses deste mundo. Essa linha é muito fina, mas tem que ser respeitada para que ela, a igreja, não perca a razão de ser; agência da Missão de Deus na terra.
Na Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, a atitude devocional era cultivada e a sujeição à vontade soberana de Deus e à Sua Palavra, um reflexo de uma vida dinâmica em um relacionamento constante e profundo, movido por amor sincero que, como disse em outro texto num outro contexto, na sua essência não é o que você faz, mas o que renuncia e, nesse caso, sem expectativa alguma de recompensa futura, a não ser chegar ao lugar onde Ele disse que prepararia para àqueles que esperavam n’Ele. A necessidade era Ele. Os homens da Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, viviam e inspiravam os outros dessa forma.
Na Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, as necessidades materiais e físicas eram supridas uns pelos outros em amor, não por necessidade ou constrangimento, mas por amor a um Deus que amou primeiro e era isso que constrangia; ser amado primeiro sem razão de ser. Isso fazia de Deus a única necessidade. Porque tudo o mais que não era Ele havia. Por causa d’Ele, por meio d”Ele e para Ele. Fazei tudo [o mais] para glória de Deus, dizia o apóstolo. Paulo, o homem da Igreja do Evangelho, do Novo Testamento, vivia e ensinava isso.
Segundo o livro de São João, no capítulo primeiro, Jesus é a manifestação plena de Deus ao dizer que Ele era o Verbo e esse Verbo se fez carne e habitou entre nós cheio de graça e de verdade e pudemos ver a sua glória, a glória do Filho de Deus.
Sendo Jesus Cristo a manifestação plena de Deus, sendo Deus um com Jesus Cristo e conjuntamente sendo O Verbo, ou seja a Palavra, encontramos não uma unidade ou soma de unidades, mas temos aqui unicidade: Jesus, Deus e a Palavra, que é o Verbo Vivo, sendo um só.
Jesus Cristo é o Centro do Evangelho na Igreja do Evangelho, do Novo testamento. Essa é a Mensagem da Igreja do Evangelho, do Novo Testamento. Porque Cristo é o Centro do Evangelho, faz com que esse Evangelho tenha uma essência divina e espiritual que faz com que os efeitos causados pela Mensagem desse Evangelho sejam poder transformador para todo aquele que toma forma dessa Mensagem, que se adequa a ela.
Quando o centro muda, a essência muda; quando a essência muda, a mensagem muda; quando a mensagem muda, os efeitos mudam. Na igreja onde o Centro do Evangelho é a Necessidade, a essência é carnal; a essência sendo carnal, a mensagem é materialista; sendo a mensagem materialista, os seus efeitos, além de desastrosos ao formar pessoas que aprendem a padronizar as ações Divinas relacionando-as com seus desejos atendidos, determinando a bondade e a fidelidade de Deus quando Ele dá o que querem, esses efeitos são também mundanos.
Sequência lógica:
EVANGELHO = CENTRO/CRISTO; ESSÊNCIA/DIVINO-ESPIRITUAL; MENSAGEM/PODER; EFEITO/TRANSFORMADOR
EVANGELHO = CENTRO/NECESSIDADE; ESSÊNCIA/CARNAL; MENSAGEM/MATERIALISTA; EFEITO/DESASTRE-MUNDANISMO
Tenho muita coisa para dizer ainda. O que você está lendo foi editado por mim algumas vezes. Me forcei a apagar coisas que, embora façam parte do tema, estavam me fazendo ampliar demais o raciocínio e isso é algo que precisa ser refletido com calma.
Não sei se o evangelho pregado nas igrejas é O Evangelho mesmo, o do Novo testamento. Quando penso nas últimas mensagens ou orações que ouvi nos últimos tempos, me fazem perguntar qual seja o Centro desse Evangelho que inspira mensagens e orações. E você?
Até mais;
Fabrício.


Comentário por Silvia Malta — 4 04UTC dezembro 04UTC 2008 (9:01)
Muito bom!!!!! te amo.
Comentário por Madalena — 12 12UTC dezembro 12UTC 2008 (17:06)
Mãe é mãe… em todo lugar!
Excelente!
Beijo