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Fabrício de Oliveira: faolliver@terra.com.br; prfabricio@hotmail.com

27

de

janeiro

Coisas da Vida… (Parte II)

 

O que move qualquer pessoa é sua paixão. Um sonho precisa ser alimentado por paixão. Uma visão precisa da paixão para se tornar real. Eu não tenho certeza se ouvi isso de alguém ou li em algum lugar, mas de qualquer forma eu acredito muito nisso.

Qualquer pessoa que luta sem saber o porquê fatalmente vai se encontrar com a derrota. Não dá para lutar somente pela luta. Dia desses assisti Tróia na TNT e descobri que nem Aquiles lutava somente pela luta; ele lutava pela sua imortalidade, pois essa era a sua paixão. Ele queria seu nome gravado na história. Quando ele chega às margens de Tróia, brada ao seu exército de grandes guerreiros que lá, no meio da batalha, eles encontrariam a razão de estarem ali; a imortalidade. Ele estava “nem aí” com Agamenon e muito menos com Menelau e Helena que fugiu da Grécia com Páris. Aquiles tinha a sua causa. O filme é só uma paráfrase da história, vale a pena ler, mas em ambos os casos, no filme e na mitologia grega, Aquiles é movido por sua paixão.

Eu falo no texto anterior sobre o dinamismo da vida, que se reflete nas mais variadas situações e sentimentos que se revelam cíclicos. Se repetem no decorrer da nossa história. Dias vêm e dias vão e as angústias e crises, assim como as alegrias e satisfações, são as mesmas, que, às vezes, se exteriorizam em formas diferentes, tudo porque a vida é dinâmica; a Vida tem vida própria.

Cito sobre meus pensamentos recorrentes acerca de um relacionamento profundo com Deus diante dessa dinâmica da vida e como a vontade de Deus se define e se mistura com as minhas vontades, tanto para o lado bom como para o mal.

Quando digo que a gente acaba aprendendo que as coisas legais são decorrentes de intimidade e estar no centro da vontade de Deus e as ruins de algum desajuste nesse relacionamento, é claro que quero dizer que essa formatação que nos foi imposta não é verdadeira. Quando você espreme esse conceito só o que sai é barganha.

Estar na vontade de Deus não está nem de perto relacionado com questões geográficas. A vontade de Deus não é um campo onde você ocupa um lugar. Isso é mais parecido com relativismo, pois eu posso definir onde é o centro da minha teologia e você pode fazer o mesmo e ter o “seu” centro em um lugar diferente do meu. Relativismo é um dos grandes males do nosso tempo.

Deus não é relativo; Deus é absoluto, assim como Sua vontade é. Assim como sua Verdade é. Não trato o que é de Deus como verdades, mas como Verdade, assim como não são caminhos, mas O Caminho.

Quando Deus se define para Moisés o faz como EU SOU. Nada é mais absoluto do que isso. Deus nem sequer agrega qualquer adjetivo que possa limitá-lo; Ele É.

Em nome do “Centro da Vontade de Deus” as pessoas se esconderam da responsabilidade pessoal por suas escolhas. Deus deseja que eu seja alguém responsável e que assume responsabilidades.

Muitas pessoas tomaram decisões dizendo que estiveram convictas da vontade de Deus e depois de um tempo o projeto fracassou e elas se perderam na sua fé não entendendo o que houve. Como se o fracasso não pudesse, também, fazer parte da vontade de Deus.

Não tenha medo de tomar decisões.

Não estou encorajando uma vida que não busca a vontade ou a direção de Deus, de forma alguma acho que uma vida sem oração e busca traz sucesso para qualquer um de nós. Mas por outro lado, ando meio cansado de certo povo que fala tanto na Vontade de Deus, de estar nela, mais especificamente “no centro dela”, e tem vida vazia, superficial, sem compromissos e/ou responsabilidade. Acho mais que vivem o acaso e chamam isso de Deus. Eu explico.

Gente circunstancial. Vão para onde a maré os empurra achando que quando a coisa esta bem é Deus, quando não está não é. Então quando alcança uma “vitória” bem gorda, aí então chegaram ao centro da vontade de Deus. Então se tornam prepotentes, soberbos e orgulhosos porque encontraram o que a maioria busca em vão e passam a ser um grupo especial que chegou em Atlântida.

Minha proposta é estabelecer um relacionamento com Deus totalmente livre de qualquer conceito ou padronização que não seja o já estabelecido pura e simplesmente na Palavra de Deus.

Gente! Deus continua sendo o mesmo estando tudo indo bem ou tudo indo mal, porque no final da história, tanto o bem quanto o mal são somente aparentes tendo como referência o propósito/vontade absoluto de Deus.

Eu não sei você, mas invés de tentar achar o centro da vontade de Deus vou me esforçar para que Ele esteja no centro da minha vida, do meu coração, mexendo e transformando meu caráter, moldando minhas escolhas e influenciando minhas decisões. Que Ele aperfeiçoe minha forma de amar as pessoas sejam elas quem forem. Que seja essa a minha Paixão. Que seja isso que me motive a viver.

Até mais;

 

Fabrício.

 

 

 

Arquivado em: Reflexão I Comentários (1)

11

de

janeiro

Coisas da Vida… (Parte I)

 

 

Quanto mais escrevo mais tenho dificuldade em escrever, me parece que deveria ser o contrário. O normal seria a repetição me facilitar as coisas. Mas então entendo que, na verdade, eu não sou um escritor, acho que me pareço mais com um pensador que expressa o que pensa e divide consigo mesmo e com gente paciente que pára um pouquinho para ler. De vez em quando, a Josi vem, graciosamente, me corrigir, mas me permito errar justamente por não ser o que digo que não sou. Sou livre para escrever, por ideologia e por vocação, não tenho compromissos.

Tem gente que me “encomenda” textos me sugerindo temas, mas eu não consigo, eu tento, tento por amor e consideração, e honra também, pois se me sugerem é porque acreditam que eu tenho algo para dizer, mas não dá para mim. Eu não sou um escritor. Eu penso sobre as coisas e é por isso que esse espaço tem o nome que tem.

Por falar em pensamento, há um bom tempo que tenho pensado sobre como a vida é dinâmica. Guerra e paz; tristezas e alegrias; choro e riso; amores e ódios; pecado e pureza; consciência pesada e consciência leve; escravidão e liberdade; angústia e alívio; visão teológica e verdade bíblica; denominações e suas doutrinas e o que Jesus ensinou e viveu. Nossa! Quanta coisa! Sem falar nas coisas do dia a dia que se desdobram de acordo com nossos contextos como profissão, família e atividades em geral.

No percurso da minha vida tenho passado por todas essas coisas e vejo como elas são cíclicas. Elas fazem parte da vida da gente sempre e não tem receita para experimentar só a parte legal de todas elas. De algumas sim não sempre, mas de todas nem pensar.

Dentro de tudo isso que é a vida, que seguindo o curso natural sem disciplina da nossa parte nos empurra sempre para margem, me pego muitas vezes pensando sobre o que é de verdade um relacionamento profundo com Deus. Na vontade d’Ele e nas minhas. Como elas se definem e onde elas se misturam para o lado bom e para o ruim.

A gente acaba aprendendo que todas as surpresas desagradáveis que a vida nos reserva estão relacionadas com um certo desajuste nesse relacionamento com Deus e que as coisas boas estão reservadas para aqueles que são íntimos e estão no “centro da vontade de Deus”.  Se é que o centro da vontade de Deus se concentra num certo ponto geográfico dentro de um espaço, que é a vontade de Deus, onde você precisa estar no centro. Você pode estar na vontade de Deus, mas pode ser que esteja, dentro da vontade de Deus, em Latitude -22° 54′ 20”  e Longitude 47° 03′ 39” , o que pode ser bom, pois está dentro da vontade de Deus, mas não é o centro. Então é um bom ruim e se é ruim não tem nada a ver com Deus. Que loucura!

Além dos dramas da vida a gente tem que se preocupar com os dramas geográficos das coordenadas da vontade de Deus. Parabéns para quem inventou isso deixando muita gente perdida no meio de um oceano fazendo de suas vidas uma fantasia e uma viagem em busca do Santo Graal ou da Arca Perdida. Pensa em alguém que quando tudo está bem diz: “estou no centro da vontade de Deus”; e quando vai mal diz: “não, essa não é a vontade de Deus pra minha vida”.

Se a gente entendesse que a vontade de Deus para vida de todos é uma só; Amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo ficaria mais fácil conviver com o dinamismo que é a vida.

Eu vou escrever mais sobre isso, é uma introdução, já que isso tem invadido meus pensamentos há um bom tempo. Talvez falar um pouco sobre amar a Deus sobre todas as coisas e um pouco sobre o amor, que mais uma vez vou dizer, fazer algo por amor faz parte dele, mas sua essência está na renúncia.

 

Até mais;

 

Fabrício.

 

 

 

 

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8

de

janeiro

A Felicidade não é uma experiência…

Sou um apaixonado por livros. Certamente é uma das poucas coisas que me fazem perder um pouco a consciência de minha condição financeira e gastar além da conta. Dificilmente passo em frente a uma livraria e não entro, e quando entro, é muito difícil também sair sem nada nas mãos.

Ouvi uma frase uma vez: "somos o que comemos e o que lemos". É verdade. Nosso corpo revela o que comemos assim como o que lemos revela o que pensamos. Isso é importante quando parto do princípio de que a saúde do meu corpo determina, de forma natural, minha longevidade e a forma como desenvolvo meu juízo de valores, princípios e conceitos vão determinar a qualidade das minhas escolhas, relacionamentos e a própria vida.

Eu converso com livros. Quando leio sou convidado pelo autor para uma bela conversa e também uma reflexão de minha própria vida. Às vezes caio na tentação de avaliar a vida de outros em minhas conversas, mas logo meu amigo/autor me traz de volta ao devido lugar.

Ultimamente meu amigo tem sido o Dr. Martyn Loyd Jones, e ele tem sido duro comigo. "Uma Nação sob a Ira de Deus" tem sido a sala de estar de nossas conversas e ali ele pega pesado. Dentre as várias coisas fascinantes que tenho ouvido dele, falar sobre a felicidade tem me deixado intrigado.

Quem não quer ser feliz? Quem não busca essa tal felicidade cantada nas músicas e citada nos poemas? segundo o meu amigo/autor, a felicidade não é uma experiência, muito menos uma "experiência do momento".

Definir a felicidade como uma busca por uma experiência momentânea é muito pequeno e estreito. Ela não deve ser definida em certas áreas particulares da vida, mas da vida como um todo. Ela não é a gratificação do meu desejo do momento onde o resto não é levado em consideração. A busca pela felicidade experimental, ou seja, que se realiza através de uma experiência, pode fazer com que a busquemos sem medir esforços e muito menos as consequências; o que importa é viver o momento. Fala sério; nem é felicidade de verdade.

Felicidade é uma disposição. É preciso decidir ser feliz. Me lembro do apóstolo Paulo que disse: "aprendi a viver contente em toda e qualquer situação", e contentamento é o princípio da felicidade.

Ainda que não tenhamos a percepção clara do que é felicidade, precisamos entender o que ela não é. Ela não é uma experiência. O homem sem Deus não consegue entendê-la. Quando Deus age na vida do homem, ainda que seja em áreas específicas da sua vida, tem como fim o todo.

Felicidade não é buscar transformar a própria vida em uma aventura cheia de emoções. Sabe porquê? Porque a felicidade completa, ela realiza, traz paz.

Até mais;

Fabrício.

Arquivado em: Reflexão I Comentários (5)

5

de

janeiro

Pastores Ruins? Ovelhas Também…

Fui fazer uma visita para uma família que gosto muito esses dias. Fazia tempo que não ia lá. Embora não nos vejamos com frequência, o que nos liga é muito maior que as atividades que nos cercam e facilitam a distância. Foi muito bom ter ido.

Num determinado momento, um comentário surgiu em nossa conversa. Um deles disse sobre a mudança de valores de alguns pastores. Ele me dizia de como parte dos pastores estão preocupados cada vez menos com as pessoas e muito mais com fama, dinheiro, poder e sucesso.

Sabe de uma coisa? eu concordo com ele, essa é uma realidade. Mas como tenho aprendido que toda história tem pelo menos dois lados, quero acrescentar algo a esse comentário. É importante destacar que o interesse principal, pelo menos deveria ser, de qualquer pastor é o bem-estar de suas ovelhas, mesmo que isso custe o seu próprio bem-estar. Se a vida desse pastor está focada nos seus próprios interesses e usa todos os meios para alcançá-los, posso adjetivá-lo como ruim; isso mesmo, um pastor ruim.

Mas como disse que toda história tem pelo menos dois lados, faço então o meu adendo ao comentário do meu precioso amigo: As ovelhas também são. Assim como parte dos pastores, e temo que seja a maioria, são ruins, as ovelhas, grande parte delas, também o são.

As pessoas que enchem os templos não estão muito preocupadas com a vida dos seus pastores, porque a vida deles lhe servem de alicerce e muitas vezes de consolo. Além do fato de que as pessoas estão mais interessadas em desenvolverem sua espiritualidade e não sua vida espiritual. Porque há diferença, pode apostar.

As pessoas não gostam de dar satisfação das suas vidas. Vivemos na era do "cada um corre atrás do seu" e ter um pastor de verdade atrapalha. As pessoas, não quero generalizar, querem desenvolver sua espiritualidade do seu jeito. Querem ir para um templo, cantar algumas músicas, ouvir uma bela palestra que lhe seja agradável aos ouvidos, porque senão procuram um outro lugar onde se "adaptem melhor" e seguem suas vidas do "cada um corre atrás do seu". Até preferem que os pastores tenham outros focos que não seja as suas vidas. Dessa forma, eles são pastores só aos domingos e só aos domingos elas são ovelhas.

Portanto, entramos num dilema muito conhecido e divulgado por uma fabricante de biscoitos: "Os pastores são ruins porque as ovelhas são ruins?, ou as ovelhas são ruins porque os pastores são ruins?" Acho que uma coisa acabou levando a outra.

Pastores são ruins? As ovelhas também…

Até mais;

Fabrício.

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